Por Marcelo Valladão, especial para Acise (Jornal Interação)
Um crime ambiental, sem qualquer restrição, vem acontecendo continuamente dentro de uma das áreas consideradas mais nobres no tocante ao meio ambiente de Embu das Artes, trata-se do despejo contínuo e absurdo de entulho, restos de construção e até resíduos provenientes de piscinões estão sendo despejados na calada da noite, ou mesmo durante o dia, ao longo da Estrada do Capuava, próximo à divisa com o município de Cotia.
Nossa reportagem percorreu a Estrada do Capuava, antiga Av. Sete de Setembro, e flagrou pelo menos uma dezena de clareiras, em meio à mata virgem, em que os resíduos foram despejados, sem qualquer pudor.
“Esse fato nos leva à uma reflexão, não basta a área em questão estar “protegida” no papel, simplesmente pelo fato de constar da APA Embu Verde, como acreditam alguns dos eco-lógicos da cidade”, defende Hillmann Albrecht, presidente da ACISE.
Ele acredita que, se a permissão para a exploração comercial do local fosse regulamentada, dando às empresas a incumbência de preservar tais áreas, a natureza seria muito mais protegida. “Se esperarmos que apenas as leis serão suficientes para a preservação, estaremos nos enganando. A natureza só vai estar preservada se o desenvolvimento andar de mãos dadas com a responsabilidade da preservação, ou seja, responsabilizar empresas que explorem a área por preservarem, é o mesmo que aconteceria para se evitar as invasões de terras irregulares”, salienta Hillmann.
À medida que o poder público se apresenta totalmente ineficaz para fiscalizar e punir os infratores, e que as discussões sobre a revisão do Plano Diretor de Embu das Artes se encontram “sub judice”, se faz necessário refletirmos se os movimentos radicais não acabam causando, além do engessamento do crescimento da cidade, um verdadeiro agravamento dos crimes ambientais.
Árvores Cortadas
O avanço da presença do homem no local também pode ser notado já chegando ao município de Cotia, ao lado de um muro, recentemente construído e que aparentemente faz parte de um grande condomínio que está se erguendo no local, dezenas de troncos, muitos deles com quase um metro de diâmetro são prova de que as imensas árvores que se erguiam ao longo da estrada foram simplesmente dizimadas, sem que para isso houvesse qualquer preocupação com o meio ambiente e sua preservação.
Desenvolvimento deve acontecer com responsabilidade
Em nossa edição anterior publicamos o tratamento dado à mesma Estrada do Capuava no município de Cotia, no qual o trecho está em plena expansão.
Condomínios pelo local, atraindo moradores de São Paulo para a tranqüilidade da região, é o que realmente não faltam. “A Estrada do Capuava é tudo de bom. Linda, por ser super arborizada, nos remete a esses lugares aonde os transtornos das grandes metrópoles ainda não chegaram.
Com a chegada de grandes investimentos imobiliários na região, a estrada não foi esquecida: condomínios residenciais e offices oferecem conforto e comodidade, com a grande vantagem de poder evitar o caos da Rodovia Raposo Tavares”, comenta Anice Fregonese, proprietária do Filó Gastronomia, na Estrada do Capuava há 2 anos,à Revista Tudo, demonstrando o contraste com o trecho de Embu, estagnado e vulnerável aos crimes ambientais.
Conforme ainda descrito na reportagem de Juliana Martins, da Revista Tudo, os números desencontrados têm explicação: a Estrada da Capuava é longa. Começa na altura do km 31 da Rodovia Raposo Tavares e se estende até a divisa com o Embu, terminando no km 26 da Rodovia Raposo Tavares. 
E há um agravante: uma parte da estrada – de aproximadamente 700 metros entre os Jardins Ypê e Belizário – está há muito tempo obstruída e tomada por mato. Muitos protestos já foram feitos para que esse trecho seja reaberto para desafogar o trânsito da Rodovia Raposo Tavares e a Prefeitura de Cotia estuda o caso. Já no trecho de Embu, pouco avançou, grande parte da Estrada permanece sem asfalto, principalmente no trecho percorrido pela reportagem, em que mais acontecem os despejos de todo o tipo de entulhos.






















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