O homem tem que fazer, se não o Tietê morre

29/07/2009 | Por Embu Digital
Como será o Rio Tietê daqui a 100 anos? Desafiados com a pergunta, e motivados pelo sucesso da despoluição do rio Tâmisa – Londres – em quatro décadas, alunos do 8º ano da Escola Carlitos, na zona oeste da capital, têm se dedicado a conhecer a história do rio mais famoso do estado de São Paulo – o Rio Tietê – por participarem do projeto Rivers of the World/Rios do Mundo, promovido pela Organização Internacional Britsh Council Brasil. 

 rio_tiete O estudo sobre os rios do mundo é global e envolve a participação de escolas de várias partes do planeta- Reino Unido, China, Índia, Egito, África do Sul, Brasil e México e tem como principio o desenvolvimento de um projeto colaborativo e multidisciplinar, que envolve estudos sobre os rios e criação de trabalhos artísticos, entre os estudantes dos países participantes com as escolas inglesas. O resultado do trabalho dos alunos integrará exposição de arte que ocorrerá – em setembro – às margens do Rio Tâmisa no Thames Festival, maior evento que acontece na cidade de Londres todos os anos, para celebrar a despoluição do Tâmisa, que um dia teve a morte decretada.

Os alunos da Escola Carlitos optaram por desenvolver o estudo sobre o Rio Tietê e o que será dele daqui a 100 anos. Nas aulas de geografia, um dos temas levantados junto aos estudantes foi a história do verdadeiro curso do rio, quando era navegado pelos bandeirantes e levava o nome de Anhembi, em Tupi “rio verdadeiro”. Em ciências, percorreram o processo de degradação do rio na década de 40 devido à poluição industrial e esgotos domésticos; na disciplina de história, levantaram discussão sobre a falta de interesse político nas décadas de 60 e 70, agravada pela ditadura militar, e o movimento provocado nos anos 90 pela Rádio Eldorado, cuja equipe navegava pelo rio Tietê e fazia comentários sobre a poluição e deterioração das águas.

Desvendando muitas áreas do conhecimento no percurso da biografia do rio Tietê e suas interferências sociais, os alunos chegaram ao momento da história em que a degradação do rio era tão intensa, que extrapolou para a área cultural e artística da metrópole.  Tomaram conhecimento sobre a inspiração do cartunista Laerte, quando criou os “Piratas do Tietê” e intervenções de artistas plásticos, como a exposição recente de Eduardo Srur, que criou várias esculturas de garrafas de 10 metros, espalhadas pelas margens do rio.

Para a Coordenadora Pedagógica da Escola Carlitos e também filósofa, Luciana Zaterka, mergulhar na história do Rio Tietê e participar do projeto londrino desencadeou amplas discussões e reflexões nas aulas de filosofia. “A partir do momento que os alunos se dão conta de que o homem é o ministro e senhor da natureza, se conscientizam de que as ações de cada um hoje serão refletidas no Rio Tietê daqui a cem anos”.

Para tanto estudo, muitos passeios in loco. Com a organização internacional do Reino Unido – Briths Council – os alunos navegaram pelo Rio Tietê e assistiram a palestras sobre poluição, traçado do rio e reciclagem organizadas pelo Instituto Navega São Paulo que tem por objetivo conscientizar a população da necessidade da revitalização e resgate do rio. “Também foram conhecer a nascente do Rio Tietê, em Salesópolis. Fizeram trilhas e contaram com apoio de monitoras e professores ( matemática, artes e filosofia) que abordaram questões relacionadas à poluição das águas, Mata Atlântica, reflorestamento, mata ciliar, lixo, ciclo das águas e visitaram a Usina Parque,  onde conheceram a casa das máquinas, a barragem, reservatório e espaço energia”, conta a coordenadora.

As produções artísticas – produto final do estudo dos alunos – contaram com a colaboração do artista plástico e museólogo, Paulo Portella Filho- responsável pelo setor educativo do MASP- que atuou como artista facilitador. A designer gráfica Renata Abelin desenvolveu oficinas de Photoshop na escola, para a finalização dos trabalhos. No fim do mês de junho, as produções artísticas dos alunos seguem para Londres e, após a exposição em setembro à beira do Tâmisa e em galeria de arte londrina, serão expostas no Conjunto Nacional em São Paulo. Em outubro, representantes de escolas britânicas visitam as escolas brasileiras que participam do projeto. Em São Paulo, são três. Escola Carlitos, Escola Carandá e Escola da Comunidade. A parceria entre os alunos dos dois países terá uma vida longa, e o Rio Tietê, só tem a ganhar…

 

Foto: Divulgação

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Um Comentário para “O homem tem que fazer, se não o Tietê morre”

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gostamos muito da foto do neymar e quiriamos saber mais sobre o rio tiete

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