ITAGYBA KUHLMAMN. Para quem não o conheceu (uma pena), filho do pesquisador Moisés Kuhlmann, que participou da fundação do Jardim Botânico de São Paulo em 1928 e contribuiu com a sistematização do processo de influência da fauna sobre a flora, ele foi além de poeta e criador de coelhos, um exímio jornalista político de crônicas sutis como um elefante à situações cotidianamente pitorescas do cenário político – brasileiro. Seu patrimônio intelectual não está editado.

Sempre sorridente e sereno
Ele nunca se propusera a tal façanha, mas algumas de suas crônicas e artigos estão disponibilizados através dos extintos jornais FATO EXPRESSO e CIDADES DA SERRA e na revista CONTEMPORÂNEA. Seu pseudônimo mais conhecido é o “Tio Marcos da Portela: – Aquele Abraço”

Itagyba sempre foi um "paizão" (Fotos: Arquivo pessoal)
Itagyba participava do Coral Municipal de Embu das artes “Cantares ao Meu Povo”, nome em referência à obra de Solano Trindade, sob regência de Wilma Abondanza (sua esposa) até 2008. Simples e sereno, sempre às ordens magistradas pela regente, dava o tom com sua voz grossa e veemente. Embalava os ensaios na Biblioteca Municipal Moacir F. Jordão, no centro do Embu. Para quem participava, era uma diversão. Mais empolgante que as próprias apresentações. Sempre havia uma nova toada, com vocalizes e exercícios musculares a luz apagada (para não deixar ninguém envergonhado). Quando afinavam e executavam por completo uma obra como “Estrela Estrela”, de Vitor Ramil ou “Cio da Terra”, de Chico Buarque, uma paz assolava a sala fria e desconfortável que os abrigava. Um esplendor. Nas apresentações, Itagyba, acolhedor com seu sorriso discreto, sempre recebia a todos como um “paizão”. Lúcido ao extremo e simples com seu ar poético, era o contraponto de Wilma, brincalhona e extravagante com suas piadas e deixas. Professor por natureza, Itagyba sempre ilustrava suas conversas com política, cultura, jornalismo, e informática, já que ele era ‘expert’ em programação LINUX – UBUNTO.
A doença
Itagyba fumou por 45 anos. Esse vício o prejudicou, e um de seus pulmões o deixara na mão. Tempos difíceis contam, onde pensaram que ele não agüentaria. “BRAÇO DE PEDRA”: em tupi, “ita” é “pedra” e “gyba”, “braço”, assim o caracterizaram após esse episódio, pois o significado indígena do seu nome se fez valer neste momento. Parou de fumar e começou a buscar uma vida mais saudável. Exemplo disso: sua família nunca usou forno microondas por precaução. Contudo, o destino ou o acaso, levou-o novamente ao leito do hospital. Devido a sua debilidade física um tumor crescera em seu cérebro. Os médicos indicaram que, pelo nível de ramificações, tal tumor poderia estar alojado de longa data. Por esta ninguém esperava, já que sua lucidez e inteligência tornariam isso impensável!

Uma de suas paixões: cantar
A descoberta
A partir de meados de 2008, alguns episódios na Prefeitura de Embu, onde prestou serviços até seus últimos dias, deixaram-no profundamente descontente e um enorme sentimento de impotência apoderou-se dele. O encaminhamento da política local pode ter sido seu calvário. Nesse ponto já não tinha mais força e sempre tentava acalmar a todos dizendo que só precisava descansar. Sua companheira, Wilma, tentou de tudo para animá-lo. Em vão, relembrava situações pelas quais passaram, para que pelo passado pudesse convencê-lo a lutar pelo presente.

Wilma, sua companheira
O dia da certeza.
A situação piorou. Logo já não conseguia formar uma frase, sempre lhe faltara a última palavra, muitas vezes o substantivo. Seu lado direito começou a não mais responder aos estímulos. Com muito sacrifício segurava uma colher para tomar sopa, pois só este alimento conseguiria ingerir. Foi um mês muito difícil. Deslocou-se várias vezes entre o pronto socorro e o hospital para a realização de inúmeros exames antes de dirigir-se definitivamente ao Hospital Geral do Pirajussara, seu leito de morte.

Na semana em que se dera sua internação veio a notícia. Um tumor. Seus familiares tentavam consolar Wilma que, em prantos, não acreditava na real situação. Logo em seguida soube-se que, o que se pensava ter sido derrame na verdade fora uma hemorragia intracraniana motivada pelo tumor, este responsável pela paralisação do lado direito do seu corpo. Seus filhos revezavam-se para estar presente 24h no hospital, acompanhando-o e dando força na sua improvável recuperação. Foi quando no dia 04 de abril de 2009 veio a falecer, contraindo uma pneumonia hospitalar que complicou seu quadro já humanamente insuportável.

Itagyba sempre será lembrado por aqueles que o conheceram
Suas lembranças trazem dor a seus familiares e amigos próximos, pois é difícil separar-se de algo que faz tão bem. Contudo, fica a certeza que para muitos não se pode dizer o mesmo: ele fará falta! Como homenagem, suas cinzas foram dispersas no recanto Moisés Kuhlmann, localizado no Jardim Botânico de São Paulo e no Parque do Lago Francisco Rizzo em Embu.
ITAGYBA KUHLMANN, como dito no texto: O “Braço de Pedra” de Embu das Artes, por ESTÊVÃO BERTONI para a FOLHA (obituário), deixa sete filhos, 5 netos, noras, uma amada esposa.
Alexandre Oliveira da Silva



















Um Comentário para “Itagyba: Uma vida sem desvios”
Extraordinário!
Parabéns! Você me emocionou com suas palavras!
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