Mário Ramos – fabricando Arte!
Mário Ramos, pintor e escultor de Embu anda encantando os turistas junto com seus companheiros na “Palhoça” – uma imensa tenda armada defronte ao Centro Cultural Mestre Assis do Embu – , vem “fazendo arte” ao vivo para o deleite dos visitantes da cidade. O artista em seu “habitat natural”, com ferramentas, matéria-prima e idéias na cabeça… Ele foi ouvido pelo site Diário de Embu e contou um pouco dessas idéias.
Habituado às mudanças, nasceu em Jacareí e aos sete anos começou seus primeiros desenhos durante a sua infância na fazenda em que seu pai trabalhava. Com 11 anos sua família adquiriu um pequeno sítio em Guararema, após a venda da fazenda, onde seu pai trabalhava produzindo ovos. Mário é o caçula de cinco irmãos e os estudos foram transferidos para um grande colégio da cidade. O interesse pela arte aguçou a sua cabeça.

Mário Ramos encontrou seu lugar no Embu
Em 1965, sua mãe com 55 anos falece. O canto dos pássaros fôra, repentinamente, substituído pelo ronco dos carros. Seu pai toma uma decisão radical e vende o sítio para o primeiro interessado, mudando-se para Poá, Zona Leste de São Paulo, onde passou a morar com sua irmã, até que seu irmão mais velho adquirisse uma nova residência no mesmo município.
Foi naquela época que se impressionou com a imponência da capital paulista e seus monumentos. Chegou a andar de bondinho no centro velho e curtir a romântica garoa paulistana. Com 19 anos, inicia sua vida profissional num projeto de criação e montagem de uma emissora de televisão, a Rádio e TV Cultura.
Durante os mais de 34 anos na emissora, conquistou tudo que um profissional sonha. No mesmo ano se casaria com Maria Thereza, mudando-se para o centro da capital. O casal teve três filhos: Alexandre, Douglas e Daniel. Hoje, é avô de uma bela garotinha, a Natasha. Em 1975 a família adquiriu uma casa em Osasco, onde viveu por 28 anos. As décadas de 70 e 80 foram decisivas para que a arte se tornasse a sua grande paixão ao lado dos filhos.
Afilia-se à Associação Paulista de Belas Artes, onde artistas principiantes recebem dicas de pintores experientes. Além disto, ainda hoje, tem viagens periódicas para a prática ao ar livre, campo e praia. No decorrer de anos seguidos, participou de inúmeras exposições na capital, como na Casa de Portugal.
“Através da arte procurei preencher o imenso vazio causado pela morte do meu pai, em 89”, afirma.
O FIM E O RECOMEÇO
No ano de 2000 viaja à Espanha para passar alguns dias com seu filho. A TV Cultura já estava instável financeiramente e Mário, insatisfeito, com os métodos administrativos, dava os primeiros sinais de que a hora da despedida estava chegando. Liderava uma excelente equipe de profissionais e o que faltava era prepará-la para a continuidade, sem a presença do líder.
Separado da primeira esposa, conhece Meire Lopes, apaixonada por arte e começam a pintar juntos. Meire vende um imóvel em Barueri e, com o dinheiro adquiri uma chácara em Embu das Artes. Não tem dúvidas de que a Meire é e será sua grande companheira até o final da sua vida Prevê que Embu será a última morada. Está certo de que sua missão é colaborar para que a arte e os artistas do Embu sejam respeitados.
EMBU MUDA O SEU CAMINHO ATRAVÉS DA ARTE
Meire não resistiu ao convite de Carlos de Almeida, enquanto o Carlos finalizava uma escultura em pedra-sabão. Após o churrasco, Carlos entregou um pedaço de pedra e ferramentas ao Mário e disse: “Faça alguma coisa”. Ao que Mário respondeu: “Não sou escultor”, mas Carlos insistiria: “Faça qualquer coisa”. No final da tarde Carlos exclamou: “Você é um escultor!”.
Deu-lhe algumas dicas sobre ferramentas e pedra-sabão e, se tornaram grandes amigos. Porém, ele é o grande culpado por Mário nunca mais ter pego no pincel.

Meire Lopes está diariamente na Palhoça, em frente ao Centro Cultural Mestre Assis do Embu
Em fevereiro de 2005, durante as comemorações de aniversário de 46 anos de emancipação da cidade de Embu, o Secretário de Turismo e artista plástico, Renato Gonda, pediu ao Mário que cedesse uma escultura para a inauguração do Centro Cultural. Ficou muito honrado. Na mesma época, o escultor Cláudio Veneranto, um dos primeiros a se tornar amigo do casal, conversou com o Mário sobre a possibilidade de se formar um grupo sério para mostrar a verdadeira arte ao vivo, sob uma cobertura de sapê, com o incentivo da Prefeitura Municipal. Aurino Bonfim (morto dia 27/11), Rivelini, Paulo Jóia, Mônica, Miguel, Thiago, Meire e o próprio Cláudio se juntaram a eles, nascia a “Palhoça”.
Exposições por vários Municípios, capital e Estados tem acontecido.
O longo caminho não tem fim, e Mário inicia uma nova caminhada após se tornar amigo do escultor Franklin. Está tendo orientações sobre técnicas em mármore e granito. O resultado será conhecido em 2007, segundo o Mário “O Franklin tem demonstrado ser um grande amigo e está me passando muitos dos seus conhecimentos, só essa a união, força, amizade, postura, respeito, seriedade entre artistas e artesãos e, com o apoio do poder público e comerciantes, o Embu das Artes reconquistará o espaço perdido nos últimos anos”. Um exemplo disto, é a recente exposição promovida no Centro Empresarial de Santo Amaro pela Acise: Sucesso absoluto!
“NEM TODOS TRILHAM O CAMINHO DA ARTE. PORÉM, A ARTE PODE MUDAR O CAMINHO DE TODOS”.
D.E. – Mário, o que a “Palhoça” representa hoje para você?
Mário Ramos – Olha, ela representa muita coisa, é uma idéia simples que movimentou a Feira de Artes, e também mexeu com o artistas, pois convivendo junto, trabalhando junto as pessoas vão trocando experiências.
D.E – Que tipo de experiências?
Mário – Por exemplo, eu observava que alguns artistas quando vendiam suas obras tinha receio de falar o preço, falavam baixinho…e um dia eu perguntei o porquê daquilo. Me responderam: “É que onde eu expunha, lá pra cima, eu não falava o preço porque as pessoas tem inveja, você é novo aqui, ainda não conhece o Embu…”. Então procurava falar que isso estava errado, precisamos comemorar quando nosso vizinho vende qualquer obra, porque isso divulga a cidade, todos ganham com isso, é preciso mudar a mentalidade!
D.E. – E vocês mudaram isso na “Palhoça”?
Mário – Sim, agora tudo tem preço e quando o responsável não está, aquele que está trabalhando vende para o colega. Em uma ocasião o Aurino (Bonfim), viajou pra praia e nós vendemos cinco telas dele, quando ele voltou ficou muito feliz. Essa mentalidade de competição não existe na “Palhoça”.
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Um Comentário para “Mário Ramos”
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