Joel Câmara é um dos pioneiros da arte naif que também contribuiu para a fama de Embu das Artes. Apesar do imenso talento era comum vê-lo com um pacote de papel contendo alguns de seus desenhos, em nanquim, ele os tentava vender mas, como a maioria dos artistas de Embu, não sabia bem como fazer o talento se reverter em benefício financeiro.
Acabava por negociar os trabalhos por valores infinitamente menores do que valiam, alguns diziam que por um terço do que qualquer galeria cobraria por eles. Depois por qualquer preço, desde que conseguisse alguma grana para uma bebida e a refeição do dia.
Além de desenhista era ilustrador, escritor e poeta. Faleceu no dia 15 de novembro de 2008, já estava com problemas na memória e na visão, foi sepultado no Cemitério do Rosário, de Embu, após o velório na Capela de São Lázaro.
Patrícia, sua filha tenta resgatar algumas das obras, espalhadas em galerias e lojas que não devolveram os originais após a doença que o afastou de sua arte.
Ele era da Escola Primitivista Brasileira e foi influenciado pelo desenho medieval e do Barroco mineiro. Desenhava com uso exclusivo do nanquim (ou preto) sobre vários materiais, bico de pena sobre papel, madeira, pintura sobre parede lisa e até o couro.
Reconhecido internacionalmente fez a primeira exposição própria em 1968, sob o título “O Novo Testamento descrito e narrado à maneira do Sertão”.
O livro ilustrado, “A Guerra Santa do Sertão”, é talvez sua obra mais importante, idealizado com a ajuda de Francisco Aparecido Cordão.
“Nesta obra magnífica, Joel Câmara escreve e desenha, ao longo de noventa e duas ilustrações e noventa e dois textos, com a sensibilidade do bico de pena, sobre a revolta dos humilhados e dos homens ofendidos e aviltados em sua honra e brio, que são os trabalhadores da roça, os lavradores sem terra, os homens e mulheres do sertão, vítimas da insuportável infâmia do desamparo e do abandono. Com a Guerra Santa do Sertão, Joel Câmara busca resgatar a mensagem de esperança de Antonio Conselheiro aos desvalidos e desamparados de Canudos, a Canaã Cabocla, ressuscitando o sonho daqueles humildes sertanejos que ousaram ensaiar uma reforma agrária brasileira, até hoje reclamada e ainda não concluída”, diz Cordão, em matéria de Márcio Amêndola.
Além desta, Joel tem outras obras publicadas ou inéditas, entre as quais “Os dez pecados capitais”, “Gênesis, O Velho Testamento, o primeiro livro da Bíblia – O Bereshit dos antigos Hebreus”, “As Quatro Estações”, entre outras.
Afastado deste mundo, a nova ‘Guerra Santa’ de Joel Câmara e daqueles que admiram sua genialidade, é contra o abandono e o esquecimento. Este grande homem e artista ímpar deve e terá seu lugar na história da arte de Embu e deste País. (Texto com informações da CMETE) Saiba Mais sobre os Artistas de Embu

O Cangaceiro, em nanquim


















Um Comentário para “Joel Camara”
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