Marcos Cintra fala sobre a crise

21/01/2009 | Por Embu Digital
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Secretário Municipal de SP e professor da FGV falou ao jornal Interação

Por Marcelo Sousa

O jornal Interação teve acesso ao estúdio da Rede NGT em São Paulo e pode acompanhar a entrevista concedida ao jornalista Valter Estevam Jr., que apresenta o programa “30 minutos”, pelo secretário do Trabalho e Desenvolvimento da cidade de SP, professor Marcos Cintra.

Eleito vereador na cidade de São Paulo nas últimas eleições pelo (PR), o professor da Fundação Getúlio Vargas, Marcos Cintra foi convidado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM)  para assumir a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Econômico.

Ele já foi titular das pastas de Finanças de São Bernardo do Campo, em 2003, na gestão de William Dib (PSB), e de Planejamento de São Paulo, em 1993, na gestão Paulo Maluf (PP), é vice-presidente da FGV.  O programa será reprisado no próximo sábado, dia 24, às 9h30, e a NGT pode ser sintonizada no canal UHF 48 da TV aberta.

Durante a conversa ele abordou vários pontos, dentre os quais destacaremos:

Crise Econômica

“Esse é o grande tema hoje em qualquer noticiário. A crise, o desemprego, quanto tempo ela vai durar, porém, eu tenho uma visão muito particular sobre isso. O medo e a preocupação são contagiosos…e como a crise é muito profunda nos EUA e na Europa isso vem contagiando o resto do mundo, muitas vezes sem necessidade. Eu não acredito que a crise vai ser tão forte aqui no Brasil”

Efeitos da Crise no Brasil

Comércio Exterior – “Não acredito que a crise será tão forte aqui por diversos fatores, o primeiro é que ela não surgiu aqui, ela não é oriunda de dificuldades econômicas nossas, ela passou a contaminar o resto do mundo já que os EUA representam 30% do PIB mundial, é evidente que isso vá chegar ao resto do mundo, precisamos analisar quais os canais de contágio e o mais evidente deles é o comércio exterior, as exportações.

O Brasil é um país que tem um coeficiente de exportação muito baixo e por isso esse canal de contágio perde força”. O professor explica que o índice de exportação do Brasil gira em torno de 25% do PIB, enquanto que, em alguns países esse índice, somado ao índice das importações,  pode ultrapassar os 75% e às vezes ultrapassar os 100% do PIB daqueles países, o que os torna mais susceptíveis ao contágio por esta via”.

Crédito – “O Brasil é menos dependente do crédito. Nos EUA as pessoas vivem com crédito, elas compram com crédito, sem ele as pessoas deixam de comprar. Como no Brasil essa dependência é menor os efeitos ruins também serão menores. Nos Centros de Apoio ao Trabalhador que temos na cidade percebemos que não houve redução do número de vagas de trabalho oferecidas,  isso porque São Paulo é uma cidade muito mais dependente de serviços do que de indústrias.

A crise já chegou, mas não será tão profunda quanto muita gente pensa. Não sou adepto da “teoria da marolinha”, vai ser uma onda maior, mas acredito que será possível surfar nesta onda, longe de ser um “tsunami” que muitos pregam”.

Brasil mais forte – “O Brasil vai sair dessa crise mais forte, mais dependente do mercado interno e fortemente atraente para investimentos externos e aí vamos entrar numa fase bem mais positiva, isso já a partir de 2010”.

Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento

“Uma das missões desta pasta é atenuar os efeitos da crise, estamos preparados para ampliar nossos serviços, principalmente para qualificar e intermediar a procura pelo emprego, porém focando o empreendedorismo. A grande força do trabalho no Brasil hoje é o trabalho autônomo, é a microempresa individual que acabou de ser criada no Senado que vai fazer com que o pequeno empresário tenha um tratamento especial. Temos que falar em trabalho e não só no emprego. Temos que trabalhar nos dois lados da equação, com trabalho e investimento.

Agora, no aniversário de São Paulo vamos inaugurar mais uma Agência da São Paulo Confia, desta vez em Interlagos. Essa agência vai oferecer crédito ao pequeno empreendedor.”.

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"A crise já chegou, não é uma marolinha, mas vai dar pra surfarmos nela"

Imposto único e Reforma Tributária

“Eu apresentei na Câmara dos Deputados, no ano de 2000, e montei no Congresso, com Deputados, Senadores uma frente nacional pela implantação do Imposto Único Federal, tanto que ele já tramitou por todas as comissões, ou seja, ele está pronto pra ser votado, se o presidente da Câmara quiser o projeto pode ser votado amanhã de manhã. Ora, os deputados são a favor, a sociedade é a favor, por que é que ele não é votado? Bem, como resistência, vamos encontrar dois pontos, o primeiro é a burocracia pública e a privada, aqueles que vivem dos impostos, não como a maioria das pessoas que sobrevivem “apesar” dos impostos. Todos estes setores não querem perder poder, tudo isso gera uma cadeia de corrupção. Muitas atividades profissionais nestes setores irão perder a razão de ser.

O segundo foco de oposição é o sonegador. E esse não assume que é contra, ele inventa desculpas para ser contra mas não assume que é sonegador e que pratica a concorrência desleal.

Só mobilizando a sociedade para conseguirmos avançar, mas a sociedade é desorganizada. O imposto único substituiria todo os impostos, IPVA, IPTU, ISS, contribuições previdenciárias ao INSS, ICMS, Imposto de Renda, IOF, todos seriam eliminados e o imposto único seria cobrado como a CPMF, que foi uma cópia mal feita! E todos iriam pagar, não haveria sonegação, até o bandido seria obrigado a pagar! E a taxa seria de cerca de 2,5% .

E a Reforma Tributária, do jeito que foi proposta, não avança porque, para a sociedade, é “mais do mesmo”, a maior parte do que está lá não nos diz respeito, só trata de partilha de recursos, só discutem o que é reforma quando é hora de dividir o povo e é claro que a sociedade não vai apoiar isso! Enquanto não rompermos os paradigmas isso não vai acontecer”.

Associações Comerciais

Falando com exclusividade ao Interação, o professor Marcos Cintra ressaltou a importância das associações comerciais. “Eu tenho o maior respeito pelas associações comerciais porque elas são uma grande rede de empresários, alguns de porte médio, outros, evidentemente, de grande porte, mas o que diferencia esse empresários que participam das associações é que eles tem uma enorme consciência social, política. É um grupo de pessoas que se reunem não só para defender os seus interesses nos negócios, mas também para defender as instituições, o país, a participação que elas vêm tendo na vida pública, na vida social com trabalhos assistenciais, tudo isso é muito importante. Eu respeito muito, é um grupo que pensa no lucro, mas também pensa nas pessoas, em quem está ao seu redor”.

ACISE

“A ACISE é um grupo pelo qual tenho o maior respeito, quero deixar um grande abraço a todos e dizer que fico na expectativa de um dia poder fazer uma visita por lá, quem sabe poder participar de uma palestra, realizarmos uma conversa. Tenho o maior interesse de visitar a todos no Embu e agradeço em especial aos leitores dos meus artigos no Interação e o apoio da presidente, Terezinha Almeida”.

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"O Brasil vai sair dessa crise mais forte"

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Um Comentário para “Marcos Cintra fala sobre a crise”

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O Professor Marcos Cintra acertou ao criar o Imposto Único, pena que falta vontade política para implementá-lo!!!

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